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Nas dobras da estória

R$68,00

DescriçãoFicha TécnicaPosfácio

Seguindo a tradição homérica, Camila Nicácio continua contando a história de Ana Borja. Voltamos no tempo.
“Ana está feliz. Carlos é um bom companheiro, anos antes do desgaste que conhecemos em É tudo inventado, mas não é mentira. Não há filhos. Não há cansaço. Ela anda apenas ansiosa com a revisão do seu primeiro romance e deixa escapar aqui e ali pistas do longo túnel escuro que mais tarde terá que atravessar. Um flerte com a loucura que ainda não se instalou. Até lá, Ana dá os últimos retoques na estória que imaginou para dialogar com a sensibilidade daqueles que vagam pelo mundo como que descarnados, e por isso incompreendidos nesse momento agudo. Estória de Ana, de Eva, de Camila, em três dimensões que se plasmam para abraçar os leitores, os que elas inventam, os que as lerão. Nas dobras da estória é um livro que vem depois. O segundo de uma série de três. O primeiro numa cronologia que segue para trás, revirando os ponteiros e o calendário.”
A volta ao passado é estilo, mas na literatura, estilo é substância, e serve para progredirmos. É simples ver um castelo ruir, o complexo está em entender a construção de seus muros e torres e como as rachaduras e as falhas estruturais que levariam à queda foram inseridas no projeto inicial, sem a ciência de seus engenheiros e arquitetos. Para chegar ao final da história de Ana Borja, temos antes que passar pelo seu começo. Como a escritora e, por consequência, a leitora, começou seu caminho de leituras e releituras. Ou ao menos, a estória que Camila Nicácio escolheu mostrar.
É importante destacar a dualidade leitor/escritor, pois o desenrolar do enredo de Ana Borja é feito de duplos, de livros dentro de livros, leituras dentro de leituras, realidades dentro de realidades, ficções dentro de ficções. Esse castelo é construído com metaficções, mas cuidado! As piscadelas tão caras para Umberto Eco nos fazem ver as coisas com o canto dos olhos e ali, eu, você, Ana Borja, criamos. O que exatamente?
As respostas são construídas em parceria. Camila Nicácio escreveu, você lê e responde.
Nas dobras da estória é o novo livro da trilogia Verdade inventada imaginada por Camila Nicácio, uma sequência in medias res de É tudo inventado, mas não é mentira, publicado pelo Grupo Editorial Quixote.

 

Sobre a Autora:

Camila Nicácio nasceu em Belo Horizonte (1977) e foi criada em Oliveira (MG). É professora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Autora dos livros de poesia Courts-métrages, poèmes visuels (Éditions Thot, 2011) e Ensaios para quase (Impressões de Minas, 2022) e do romance É tudo inventado, mas não é mentira (Quixote, 2023).

 

Retirada no local de lançamento disponível:
Espaço Comum Luiz Estrela
R. Manaus, 348 – São Lucas – BH – MG

ISBN: 978-65-84007-27-7

Título: Nas dobras da estória

Autora: Camila Nicácio

Páginas: 140
Ano de lançamento: 2026

POSFÁCIO por Cleide Simões

 

Camila Nicácio não é uma escritora iniciante. E não afirmo isso apenas por sua bagagem anterior — que inclui ensaios jurídicos, poesia e romance —, mas, sobretudo, por sua escrita segura e laboriosa. Em relação ao último, a autora entrega ao leitor uma trama envolvente e poderosa, marcada por um traço inconfundível: a construção de personagens dotados de uma psique profunda. São seres capazes de expor motivações, angústias, virtudes e falhas humaníssimas, enquanto circulam incólumes pelo tecido social, confirmando uma tridimensionalidade rara e magnética.
Nas dobras da estória é o segundo título de uma trilogia iniciada com É tudo inventado, mas não é mentira (Quixote). Embora cronologicamente posterior, este volume investiga a gênese dos conflitos que subjugam seus protagonistas. Entre eles, destaca-se uma jovem escritora em constante tensão, assombrada pela possibilidade de ter sua narrativa surrupiada pelos responsáveis por copiar seus originais numa gráfica — ainda que eles próprios sejam criaturas de ficção.
O imbróglio agiganta-se quando a ficção passa a produzir ficção. Personagens se entrelaçam e, por vezes, impõem-se à narradora-personagem, reivindicando soberania sobre suas próprias vozes e destinos. Trata-se de um criativo jogo pirandelliano, meio às avessas, que provoca no leitor certo grau de vertigem: aqui, os limites do real são diluídos por uma condução metaficcional segura e provocativa.
Essa estratégia alcança o leitor por outros ângulos: as personagens são como pessoas que cruzam nosso caminho na rua e, por algum motivo inexplicável, cativam nossa atenção. Sentimo-nos impelidos a segui-las com o olhar ou com interrogações quase inúteis — questionando a razão de um semblante melancólico ou o destino de um envelope protegido contra o peito. Essas cenas cotidianas, em última análise, inserem-nos na narrativa; retiram-nos da passividade e nos arrastam para uma trama na qual passamos a nos questionar e a nos revelar, tal qual cada personagem. Somos figuras subtraídas do imaginário da autora, como se ela nos interpelasse: “você não é uma criação minha?”
A desenvoltura de Camila Nicácio diante das probabilidades de se constituir uma narrativa projeta-se na personagem/escritora Ana, quando ela se coloca diante de um glossário humano e factual exemplarmente revelado em momentos como este, singular: “Talvez devesse ter escrito sobre uma pequena cidade que desapareceu em quarenta segundos sob a lama de uma barragem rompida e que foi posteriormente recriada segundo a imaginação de uma criança e de seus itinerários quotidianos de menino do interior, da casa à única quadra de esportes de cimento tosco ralando os joelhos, da quadra à escola e a suas paredes caiadas, da escola à venda de um senhor de nome antigo, da venda aos braços da avó, morta ela também junto com a memória de homens e bichos. Para onde olhasse, ela via as estórias que não tinha contado até então e nesses instantes seu manuscrito ardia nas pontas dos dedos como uma delicada porção de brasa”.
A imagem da “brasa” convoca o leitor à percepção de um processo psíquico peculiar: a epifania. Aquilo que fulgura entre tantas outras imagens é recolhido e potencializado como agenciador da construção da linguagem, dos transeuntes e de suas façanhas, angústias e essencialidades. Nesse contexto, a escrita torna-se um ato de escolha e recolhimento de fragmentos da vida, o que singulariza a emergência do processo criativo de Ana, a protagonista e escritora. Ela não se restringe a um ponto originário a partir do qual o discurso emana como um fluxo independente; ao contrário, Ana capta, dialoga e se sensibiliza com o texto do mundo. Ao incorporar personagens que se dispõem a representá-lo ao leitor, retirando-os das “dobras da estória”, a narrativa expande-se para uma reflexão mais aguda: a coemergência entre autoria e obra — e entre a escritora-personagem e a escritora real — acaba por embaçar essas categorias.
O título oferecido por Ana, “O inusitado caso de Eva Cohen”, traz uma colocação peculiar quando apresentado aos leitores: “Para ela, uma vez sua autoria inventada, importava que o livro conversasse com pessoas que existiam e da forma que existiam”. Tal afirmação confirma a intenção de produzir algo que singularize as palavras, (trans)formando-as e agindo sobre elas para que personalidades reais e fictícias interajam. Nesse sentido, Eva e suas manchas róseas na pele convidam ao estranhamento. A personagem sofre com a repulsa daqueles que a percebem apenas como portadora de uma marca, sem notar que ela traz algo fulgurante — como uma brasa aquecendo corpos em meio a uma noite fria — e uma profunda empatia pelos solitários, deserdados e sofridos. Eva, assim como a literatura, traz à luz subjetividades que dialogam diretamente com o leitor.
A narrativa de Camila Nicácio possui muitos propósitos, alguns planejados e outros intuídos ou resultantes de seu acervo cultural. Sem dúvida, a obra invoca reflexões profundas. Uma delas, em nome daqueles que criam universos e seres pela palavra, já foi cogitada pela enigmática e apaixonante Clarice Lispector: “Antes havia uma diferença entre escrever e eu (ou não havia? não sei). Agora não mais. Sou um ser”.

Disponibilidade: 298 pre-orders available

Data de envio da pré-venda: a partir de 29/05/2026
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Peso 165 g
Dimensões 12,5 × 18 × 1 cm

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